terça-feira, 23 de maio de 2017

HISTÓRIA DE BARREIRAS (IGNEZ PITTA E WIKIPÉDIA)   
NASCIMENTO DE BARREIRAS:
A partir de 1600, Francisco Garcia Dávila, junto com Domingos Afonso Serra, iniciou a conquista da margem esquerda do rio São Francisco, guerreando contra os índios e estabelecendo fazendas na região, que, devido à sua fertilidade, foi sendo ocupada com a implantação da agropecuária. Pertencente a Pernambuco e sem dispor de nenhum órgão que aqui representasse o governo português, em finais de 1600 os habitantes começaram a reivindicar ao rei a instituição desses órgãos, que aqui funcionassem, sem necessidade de se viajar até Recife.
Assim, o rei de Portugal D. Pedro II enviou ao Governador Geral do Brasil, D. João de Lancastre, uma carta assinada a 02 de dezembro de 1692, determinando a criação de arraiais na região.
A região Oeste no Estado da Bahia – Primeiro documento específico para nossa Região
Carta Régia
“Dom João de Lancastre, amigo Por parte dos povoadores da Lagoa de Parnaguá (situada no Piauí), rio Preto, rio Grande e rio São Francisco e circunvizinhos se me apresentou a que o grande dano a que padecem em suas fazendas de gado, com os constantes assaltos do gentio bárbaro (índios), a que não podem resistir por estarem ditas fazendas divididas, o que só se poderia remediar situando-se algum arraial de gentio manso no lugar mais oportuno, aldeando-se para serem permanentes” D. Pedro II – Rei de Portugal
Institucionalização da Região
Por força desta Carta Régia foram oficializados como arraiais os três mais antigos núcleos habitacionais da nossa região:
No Rio Preto – Santa Rita
No Rio Grande – Campo Largo (atualmente distrito de Taguá)                      
 No Rio São Francisco, em frente à confluência do Rio Grande – Barra.
Logo em seguida, em 1700, toda a região foi instituída como distrito de Cabrobó, em Pernambuco, tendo sua sede em Barra, para onde foi constituída a primeira autoridade da área: o Juiz Braz Martins de Rezende, seguida de outras, como ouvidor.
Formação Territorial – Criação dos primeiros municípios
O primeiro município da Região Oeste foi São Francisco das Chagas da Barra do Rio Grande do Sul – Atualmente Barra, criado através da Carta Régia de 1752, abrangia toda a área que é hoje o Oeste baiano. Todos os outros que se formaram a seguir desmembraram-se de Barra.
Segundo Município – Campo Largo – Constituído através do Alvará Régio assinado por D..João VI em 03 de junho de 1820, com o território desmembrado de Barra. Abrangia a área de doze dos quinze municípios que atualmente formam a nossa Micro-Região do Rio Grande.
Terceiro Município – Santa Rita – Emancipado de Barra através da Lei Provincial nº 119, de 26 de março de 1840. De Santa Rita emanciparam-se Formosa do Rio Preto e Mansidão.
Criação dos demais municípios
Em 05 de julho de 1890, através da lei assinada pelo Governador da Bahia, Marechal Hermes da Fonseca, Angical se emancipou de Campo Largo. No ano seguinte Barreiras se emancipou de Angical, através da lei assinada pelo Governador José Gonçalves da Silva em 06 de abril de 1891, sendo instalado o município no dia 26 de maio do mesmo ano.
Novos Municípios
No início da década de 1960, Riachão das Neves emancipou-se de Cotegipe; Os distritos de Baianópolis, Catolândia e São Desiderio desligaram-se de Barreiras; Cristópolis, Brejolândia Tabocas do Brejo Velho desmembraram-se de Angical.
Em 1985 Wanderley separou-se de Cotegipe e no ano de 2000, o distrito de Luís Eduardo Magalhães emancipou-se de Barreiras.
Com Formosa do Rio Preto e Mansidão, que se desligaram de Santa Rita, perfazem-se os quinze municípios que constituem a nossa região.



Texto da Professora Ignes Pitta
Publicado no Portal A História de Barreiras

HISTÓRIA DE BARREIRAS: 
Barreiras, é um  município  brasileiro do estado da Bahia. Sua população segundo o IBGE 2016 é de 155 519 habitantes, sendo o município mais populoso do oeste da Bahia. É o décimo primeiro município baiano com maior população. Situada no Extremo Oeste da Bahia, a cidade é cortada pelo Rio Grande, principal afluente da margem esquerda do Rio São Francisco, e é atravessada por três rodovias federais sendo elas a BR 020, a BR 135 e a BR 242 tornando-a, no principal entroncamento rodoviário da região.
O município é um importante polo agropecuário e o principal centro urbano, político, educacional, médico, tecnológico, econômico, turístico e cultural da região oeste da Bahia. Barreiras, junto às suas cidades circunvizinhas, compõe a maior região agrícola do Nordeste. Além dessas potencialidades, pode-se perceber também intensa atividade comercial abastecendo toda região num raio de 300 km. Hoje, por força de seu grande desempenho nos setores do comércio e da prestação de serviços, Barreiras ocupa posição de destaque entre os maiores centros econômicos e populacionais do estado, e é uma das principais cidades da região nacionalmente conhecida como MATOPIBA.[7]
Nesse contexto de cidade polo regional, Barreiras cada vez mais tem se fortalecido economicamente dado ao seu desenvolvimento em segmentos e setores diversificados dando-lhe um ritmo de desenvolvimento mais acentuado, sustentável e seguro, com fornecimento de serviços diversos (com destaque na educação e saúde), comércio pujante e agronegócio, forte incremento imobiliário e em construção civil, entre outros segmentos que complementam entre si.
A cidade possui o terceiro maior IDH do estado da Bahia com média de 0,721 atrás apenas de Salvador e Lauro de Freitas, além de ter o segundo maior do interior da Região Nordeste atrás apenas de Imperatriz, no Maranhão.
Na época da chegada dos colonizadores europeus ao Brasil (século XVI), a porção central do país era ocupada por indígenas do tronco linguístico macro-jê, como os acroás, os xacriabás, os xavantes, os caiapós, os javaés, dentre outros.[8]
A região onde está localizada a cidade de Barreiras pertenceu a Pernambuco até meados de 1824. D. Pedro I desligou o atual Oeste da Bahia do território pernambucano como punição pelo movimento separatista conhecido como Confederação do Equador. A então Comarca do São Francisco foi o último território desmembrado de Pernambuco, impondo àquele estado uma grande redução da extensão territorial, de 250 mil km² para os 98.311 km² atuais. Após três anos sob administração mineira, a região foi anexada à Bahia em 1827.[9][10][11]
Em 1850, habitava uma casinha junto ao porto, em terreno da Fazenda Malhada, de propriedade do coronel José Joaquim de Almeida, o barqueiro Plácido Barbosa, tido como o pioneiro do município, que juntamente com seu patrão, Francisco José das Chagas, morador a meia légua dali, se ocupava de receber e descarregar as barcas chegadas, cujas mercadorias fazia seguir em tropas de animais para localidades vizinhas do estado de Goiás ou para fadas da Ribeira. Em 1880 era um povoado com 20 casebres de taipa ou adobe. A grande abundância, nas matas locais, da mangabeira, de cuja seiva se fazia a borracha, foi fator definitivo de crescimento e de uma nova atividade econômica, pela qual o acanhado povoado pôde progredir mais rapidamente e obter, logo no ano seguinte, 1881, a criação de sua freguesia. Mais 10 anos de franca prosperidade passou a ser distrito de paz do município de Angical, em virtude de Lei municipal de 20 de fevereiro de 1891. Em seguida ganhou a categoria de vila, a que foi elevado pela Lei estadual nº 237, de 6 de abril de 1891, que também criou o município respectivo, com território desmembrado do de Angical. A vila e o Conselho Municipal começaram a funcionar em 26 de maio de 1891, enquanto o "Fórum", em agosto do mesmo ano.[12]
A sede municipal adquiriu foros de cidade pela Lei estadual nº 449, de 19 de maio de 1902 investindo-se nessa categoria em 15 de novembro desse mesmo ano, quando já possuía mais de 630 casas e 2.500 habitantes. Em 15 de março de 1943 começou a operar uma agência do Banco do Brasil, o primeiro banco da cidade.
No início do século XX o progresso chega a Barreiras e deixa marcas dessa época, nos imponentes casarões de arquitetura neoclássica. Verdadeiro monumento arquitetônico, que em parte sobrevive até hoje mesmo com o acelerado crescimento urbano da cidade.
Em 1908, um jornal semanal "Correio de Barreiras" era publicado e editado pela Tipografia Lima. No ano de 1918, Geraldo Rocha, inaugura o Cine Teatro Ideal, onde programas de auditórios e espetáculos musicais fizeram o maior sucesso, sob o comando do talentoso Mário Cardoso.
Na década de 1920, com o aumento do consumo de energia elétrica, o aproveitamento dos rios tornou-se importante. Agraciada com a segunda hidrelétrica da Bahia, Barreiras atraiu muitas indústrias, que foram fechadas quando a usina foi desativada.[13]
A chegada da energia elétrica impulsionou as usinas beneficiadoras de cereais e algodão, possibilitou a instalação de uma fábrica de tecidos e fios de algodão e de um curtume industrial instalados pelo Cel. Baylon Boaventura. Nesta mesma época, Dr. Geraldo Rocha, havia fundado a empresa Cia. Sertaneja e, através dela, muito realizou para o progresso de Barreiras. Na década de 1930, Dr. Geraldo Rocha, constrói um grande Frigorífico Industrial que produzia e exportava charque, paio, salame e salsicha.[14]

No início da década de 1980, o município passou a receber grande número de produtores rurais migrantes da Região Sul, atraídos pelo seu potencial agrícola.[15]










segunda-feira, 22 de maio de 2017

Por 25 a 1, OAB diz ‘sim’ ao impeachment de Temer.
Ordem dos Advogados do Brasil vai à Câmara com denúncia contra presidente por violação ao artigo 85 da Constituição, assim como fez com Collor e Dilma em outros dois capítulos da história recente do País, pós-ditadura.
A Ordem dos Advogados do Brasil vai entregar à Câmara dos Deputados um pedido de impeachment de Michel Temer, assim como fez com os ex-presidentes Dilma Rousseff e Fernando Collor. Por 25 votos a 1, o Conselho da Ordem aprovou, neste sábado, 20, relatório da comissão especial que concluiu que ‘há indícios suficientes para abertura de processo de impeachment pela Câmara dos Deputados’. O relatório foi apresentado em reunião extraordinária do Conselho Pleno da Ordem, em Brasília, juntamente com o Colégio de Presidentes de Seccionais. Apenas a seccional da OAB no Amapá foi contra o impeachment do presidente Michel Temer.


21 Maio 2017 | 00h57  Michel Temer. Foto: Wilton Junior/Estadão

sábado, 20 de maio de 2017

Em notas, Forças Armadas garantem que cumprirão  Constituição.
Comandantes militares se reuniram nesta sexta-feira Pela primeira vez e externa suas opiniões, com o presidente Temer.
 O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas - Michel Filho /
BRASÍLIA — Os comandos das três Forças Militares (Marinha, Exército e Aeronáutica) fizeram questão de garantir, neste momento de crise política sua total subordinação aos preceitos constitucionais, em notas divulgadas, nesta sexta-feira. A manifestação ocorreu horas depois de um encontro com o presidente Michel Temer e num momento de instabilidade política.
Temer se reuniu com os três comandantes e ainda com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, e com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sergio Etchegoyen. Em nota, o comandante do Exército, general Villas Bôas, "reafirma que a atuação da Força Terrestre tem por base os pilares da estabilidade, legalidade e legitimidade, e ressalta a coesão e unidade de pensamento entre as Forças Armadas". Nos textos, os comandantes militares disseram que foram "convocados" para o encontro onde se discutiu a conjuntura atual. Os comandantes militares destacam que as Forças Armadas têm seu papel determinado pela Constituição. O cuidado foi para evitar interpretações de que o encontro com Temer poderia ser um apoio ao presidente neste momento.

O general ainda fez questão de deixar clara sua posição nas redes sociais. No Twitter, escreveu que esteve com Temer e que reafirmou o "compromisso perene com a Constituição e em prol da sociedade". Na mesma linha, a nota da Aeronáutica é assinada pelo chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Ramirez Lorenzo. A nota diz que o encontro foi para "tratar da conjuntura política".
"Como de praxe em reuniões já realizadas entre esses atores, prevaleceram a unidade de pensamento e o estrito cumprimento das normas legais, características inerentes às Forças Armadas Brasileiras", diz a nota.

Com o mesmo tom, a Marinha divulgou nota sobre o encontro, destacando que fora "convocada" pelo ministro da Defesa. Segundo o texto, foi " discutida a conjuntura atual e destacada a total subordinação das Forças aos ditames constitucionais".

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Estudantes de Correntina realizam movimento pela Cultura de Paz

quarta-feira, 26 de abril de 2017



Na tarde desta terça-feira, 25, por volta das 16h, ocorreu um acidente com um veículo GM
Classic, placa de Anápolis/GO. O veículo, que era conduzido por uma mulher, seguia
sentido Luís Eduardo Magalhães, pela BR 020, trecho entre a subestação e o posto fiscal
 do distrito do Rosário, no município de Correntina, quando a condutora perdeu o
 controle do veículo, saiu da pista e capotou. 
As quatro ocupantes do
carro (todas mulheres)
foram arremessadas para
fora do
 veículo, o que leva a crer
 que não utilizavam
o cinto de segurança. Uma
delas, Arlete Braga Pereira,
 infelizmente não resistiu aos
 ferimentos e veio a óbito no
local.

As demais ocupantes foram
 socorridas, em estado
grave, por equipes do
 corpo de bombeiros de
Posse/GO e levadas para o Hospital Municipal de Posse.






















A poícia Militar do Rosário esteve no local e deu suporte no atendimento da ocorrência.

segunda-feira, 24 de abril de 2017


Formosa do Rio Preto: estádio é reformado e 

está pronto para grandes confrontos de futebol

A casa está quase pronta para o jogo deste domingo (23/04), às 15h30min, entre a seleção de Formosa do Rio Preto e a de Riachão das Neves pela V Copa Oeste de Seleções. Neste sábado (22/04), são realizados os últimos reparos da reforma geral do Estádio Municipal Anísio Carvalho de Jesus. Foram feitos serviços de recuperação de alambrado, reparação de paredes, de portas, troca de fechaduras, conserto dos banheiros e uma nova pintura.


Pensando na segurança e comodidade do torcedor, a gestão do prefeito Termosires Neto está também colocando corrimãos na arquibancada. Os trabalhos da reforma ocorreram durante duas semanas devido à grande quantidade de reparos que foram necessários e empregaram, aproximadamente, 30 pessoas. Estrutura renovada, grama aparada e bem cuidada: é só aguardar o apito inicial da partida.

sábado, 22 de abril de 2017

Marcelo "zói verde", Maior Traficante de Goiás Foi Morto

Marcelo Gomes de Oliveira, conhecido como “Zói Verde”, considerado um dos maiores traficantes de Goiás, foi morto na Bolívia na noite desta quinta-feira (20). A informação foi confirmada pelo advogado dele, Emerson Vita.
Segundo o defensor, a morte de Marcelo Gomes foi perpetrada pela polícia daquele País, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, em circunstâncias ainda desconhecidas. “O por quê disso ter acontecido dificilmente vamos conseguir saber”, disse.
Conforme Emerson, a família de Marcelo está em choque com a notícia. A esposa dele está neste momento a caminho do País vizinho para iniciar os tramites do traslado do corpo.
Conhecido como o maior traficante de Goiás, Zói verde foi preso em maio de 2014, em Brasília. As apurações policiais indicaram que, com o tráfico internacional de drogas, ele teria acumulado um patrimônio de mais de R$ 80 milhões.
Em junho de 2015 ele foi condenado pela Justiça Federal a 42 anos e cinco meses de prisão. A defesa, contudo, entrou com recurso argumentando que a Sessão Judiciária do Estado era incompetente para julgar o caso. Ainda em 2015, Marcelo foi solto e nunca mais foi visto.
No último dia 4, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski decidiu suspender sua condenação por considerar que a Justiça Federal é incompetente para julgar o caso.
Imprensa boliviana
O site El Deber, da imprensa boliviana, noticiou que um “homem de nacionalidade brasileira”, referindo-se a Marcelo Gomes, foi morto a tiros por bandidos por volta das 21h desta quinta. As informações preliminares são creditadas à Força Especial de Luta Contra o Crime (Felcc) de Los Tusequis.

As fontes do veículo de notícia dão conta de que sujeitos armados em um veículo Toyota teriam perseguido a vítima e a atingido com disparos de armas de fogo. Um hora depois, em meio a uma busca policial que mobilizou diversas viaturas, o veículo dos suspeitos foi encontrado abandonado em uma rua.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

CORRENTINA: HOMEM É EXECUTADO A TIROS DENTRO DE RESTAURANTE


Um homem foi morto a tiros na tarde desta quinta-feira, dia 20, no interior 
do restaurante Galinha Caipira, no município de Correntina, ao lado de
 um posto de combustível.
Segundo informações, a vítima conhecido por "Branco de Mindim" foi 
surpreendida por dois indivíduos fortemente armados que se aproximaram
 e efetuaram os disparos. A suspeita é que eles chegaram à bordo em um 
eículo GM Astra, cor prata. A polícia acredita que um terceiro suspeito
 tenha ficado no carro para dar cobertura na ação criminosa.
Os tiros acertaram na cabeça e ombro, matando a vítima no local. Logo
 após efetuarem os disparos, os criminosos fugiram sentido a Brasília. 
Policiais militares estão no encalço dos autores, mas até o 
momento não foram encontrados.
De acordo com a polícia, a vítima teria duas passagens pela delegacia de 
polícia acusado por assaltos. A Polícia Civil vai investigar o caso no sentido
 de identificar os autores e a motivação do crime.

quinta-feira, 20 de abril de 2017


  Em Homenagem.  
A  Clodomir  Santos de Morais -  Altair Sales Barbosa.

Foto feira de são Manoel
















Seu Nhandu era um senhor esguio, pernas compridas  e tez morena clara. Ninguém sabia ao certo sua moradia. Era um andarilho dos gerais. Nada se ouvia  de sua boca a não ser, vez em quando, um lapso de humm... humm...! Percorria época sim, época não as  feiras animadas, que existiam nos pequenos povoados daqueles sertões de dentro. Sempre carregava  um velho e surrado alforje, no qual colocava alguns presentes que ganhava dos feirantes: farinha, rapadura, sal, arroz e até beijuzinho de tapioca. Às costas trazia um saco de estopa com alguma coisa  volumosa, leve e disforme, que despertava em todos certa curiosidade. Não fazia mal a ninguém.  Sempre tranquilo, andava com olhar aguçado reparando tudo que via; às vezes se admirava com  uma ou outra coisa, e, com muita atenção e sinal de respeito, ouvia a cantiga dos cantadores. Seu semblante só mudava quando pressentia o som de uma rabeca. Ficava parado ao lado das rodas de pessoas que conversavam e trocavam opiniões sobre assuntos  variados. Parecia se inteirar dos noticiários. Mas nunca dizia nada, nem pedia as coisas, o agrado  vinha de graça, porque todos gostavam dele. Agradecia com gesto singular e por isso todos pensavam  tratar-se de um ser que não possuía a propriedade da voz. Nunca pronunciou uma só palavra. Quando a feira ia chegando nos finalmente, ele tomava um rumo qualquer  e partia, ficava às vezes até três meses sem voltar naquele local. No outro fim de semana, lá estava ele na feira de outro povoado, carregando o mesmo  tipo de comportamento. No final, sumia novamente. Ninguém sabe para  onde ia. Curioso é que, em todos os lugares  que aparecia, era conhecido pelo  codinome de “Seu Nhandu”, certamente  apelidado pelos feirantes.  A alcunha de Nhandu deveria ser pelo porte   esguio, semelhante ao da ema, ave conhecida pelos geraiseiros por este nome.  Certa ocasião, Seu Nhandu desapareceu por muito tempo das feiras, cerca de três anos, mais ou menos.  Todos sentiram sua ausência. E não faltaram comentários sobre o paradeiro. Uns perguntavam  “será que ainda é vivente?”; outros atreviam a dizer que onça o comeu. E, assim, por esses  caminhos situados entre adivinhação e lamentação, o povo das feiras desenhava o destino de Seu Nhandu.

Um belo dia, era sábado, não faz tanto tempo assim, quando as chuvas de outubro ainda não haviam dado o ar da graça e os riachos já estavam secos e o povo, meio atônito, se agonizava na feira de Santo Antônio das Águas Puras para se remediar do pouco que encontrava. Naquele momento, uma figura esguia, maltrapilha como sempre e com um saco de estopa às costas aponta na ladeira do areião. O povo meio que surpreso e estupefato, não teve dúvida: -  É o Seu Nhandu. E à medida que se aproximava da feira, todo aquele povo, num gesto simbólico, parecia reverenciá-lo. Seu Nhandu, como sempre, chegou sereno, mas dessa vez estava sem os alforjes e dizem que alguém o notou angustiado. Foi então que ele, num gesto educado e calmo, pegou um banquinho de madeira e dirigindo-se ao centro da feira, assim se expressou: “Hoje tenho uma história para lhes contar”.Um misto de comoção e surpresa tomou conta do povaréu, pois todos achavam que ele era mudo. Foi então que ele se pôs a falar: - Povo de Santo Antônio, meus irmãos, fiquei muito tempo longe de vocês, senti a falta de cada um como se sente a falta de um ente querido. Senti também tamanha saudade, que às vezes meus olhos não suportavam a quantidade de águas e eu chorava. Meu nome é Antônio e não Nhandu como vocês carinhosamente me chamam. Nas feiras dos povoados por onde andei, percebi no ar uma grande curiosidade sobre o conteúdo que eu carregava no saco de estopa. Hoje vou revelar a vocês. São sementes de tingui, conhecidas em outras localidades como timbó, hoje as deixo para vocês. Nesses quase três anos de ausência, pude percorrer vários cantos desse imenso gerais. Presenciei coisas estarrecedoras.
Quando eu era mais jovem, gostava de ficar muito tempo à beira dos rios para ver a piracema da manjuba. Ficava dias. E me perguntava de onde vinha tanto peixe. Na espreita ao lado, vibrava quando surubins e dourados, esganados como sempre, se atiravam sobre o cardume. Gostava de visitar as aguadas, as lagoas que se formavam ao longo dos rios, recheadas de peixes. E, também, descansar de barriga para cima à sombra de um pequizeiro onde inutilmente tentava contar o número dos bandos das aves de arribação. O sabor gelatinoso dos puçás e o agridoce vinho do buriti criavam a sensação de que eu estaria entrando no sétimo céu de Allah, descrito pelo profeta no livro do Alcorão. Quase entrava em delírio quando algum morador desses muitos ranchos de buritis dos gerais me oferecia um copo de lata recheado com café de fedegoso adoçado com rapadura.

Pois sim, meus irmãos! Nesses três anos que me ausentei de vocês saí quase que como numa missão para rever esses locais. O resultado dessas visitas veio como um saco de desilusão, tal qual o que carreguei a vida toda, recheado de tingui. Nada das minhas lembranças existe mais, as águas, as piracemas, as lagoas, os pequizeiros, os ranchos de buritis, todos queimados. Aliás, no último pelo qual passei ainda se ouvia o estalar das brasas.




Pensei, meu Deus o que terá acontecido? Foi aí que recordei das profecias do velho João-Cego, que morava lá pras bandas do Tabuleiro da Conceição e sempre gostava de repetir: “Vocês mais jovens tomem cuidado, porque chegará um dia em que gente estranha vai pisar neste lugar dizendo para todos bem assim:  “Quero terra”.  “Quero água”. E, para conseguir esses bens, usará de meios escusos, perigosos e enganadores, que eles escondem atrás de uma  botija como se esta fosse do bem. Uma vez instalados, roubarão tudo que é seu, tudo que você ama e construiu, roubarão a vida de vocês que, no fundo, se confunde com a vida dos rios e dos gerais. Eu vim aqui hoje até vocês, para lhes suplicar duas coisas: Espalhem essas notícias e nunca deixem que os forasteiros ou seus mandantes lhes roubem a alma e tirem de vocês a capacidade de sonhar. “Dizendo assim, com uma voz forte e sonora, pronunciou a frase latina:”  E ordem hábitos et actus  nostros in via nostra de pendet!”  Depois mansamente desceu do banco, colocou-o no local onde o pegou e seguiu mundo afora no rumo do areião. O povo, atônito, não sabia o que fazer, nem o que dizer, um silêncio fundo tomou conta do lugar. Ninguém deu um pio.  Quando todos acordaram de seu estado quase letárgico e procuraram pelo senhor Antônio ou Seu Nhandu, este já havia sumido. Só se avistou no centro da feira um monte de sementes secas de Tingui.


* Tradução da frase latina:
 "O rumo dessa estrada  dependerá de nossas atitudes e de nossas ações